Coletânea - Testemunhos femininos da fé
Antes de iniciar falando sobre a vida e missão de Santa Zélie, quero destacar que a coletânea - Testemunhos da fé inicia com ela por ter sido a minha santa inspiração.
Pesquisando sobre a vida dela encontrei semelhanças com a vida das mulheres normais como eu, não que as outros santos e santas da igreja tenham tido vidas tão diversas, mas santa Zélie foi para mim um achado, um respiro em meio ao caos e você vai entender o motivo a seguir:
Zélie nasceu em uma cidade francesa chamada Alençon, casou-se com Luis Martin e tiveram nove filhos, mas quatro morreram ainda pequenos. As sobreviventes, sim, cinco meninas tornaram-se religiosas e uma delas muito conhecida de nós católicos se chamava Teresa de Lisieux (Santa Terezinha).
Zélie participava da missa diária, rezava em família e cultivava a confiança de Deus, mas o que me chamou a atenção foi a sua capacidade de ser dona de casa, mãe, empreendedora e escritora(de cartas), não de uma forma extraordinária, mas de uma forma comum, com todos os sabores e dessabores.
Sim, ela escrevia cartas contando sobre sua rotina, fé, sua vida, os desafios da maternidade, vida empreendedora e sobre os afazeres domésticos. Foram conservadas 218 cartas escritas por ela, a maioria endereçada ao seu irmão e à sua cunhada.
Apesar de ser conhecida pelas cartas que escrevia, Zélie é conhecida especialmente por ter sido uma excelente empreendedora e ter se tornado a principal provedora do seu lar.
Para entendermos melhor a sofisticação do trabalho de santa Zélie, precisamos mergulhar nos detalhes técnicos do seu negócio:
Ela era rendeira mestra e produzia a renda alençon. A renda alençon surgiu na França da necessidade de produção própria no país para não dependerem mais das rendas italianas naquela época e é conhecida como a "rainha das rendas" pela sua complexidade, requinte, exclusividade, por ter sido utilizada por nobres e principalmente pela habilidade técnica para sua produção.
Diferente das rendas feitas com bilros (almofadas e palitos), o ponto alençon é feito totalmente com agulha, um processo extremamente lento e minucioso:
1º É criado um desenho em um papel pergaminho (parecido com papel manteiga);
2º São feitos furos minuciosos com agulha;
3º O "trace" que é o contorno do desenho com um fio guia;
4º É feito o chamado fundo (réseau) que é a criação da rede de malha finíssima que sustenta o desenho;
5º Preenche-se o corpo do desenho (rempli)
6º Brode é feito acabamento que dá a tridimensionalidade à peça;
7º É feita retirada cuidadosa do papel pergaminho usado material semelhante a lâmina de barbear.
Devido a sua habilidade, Zélie começou a trabalhar em casa executando e vendendo renda, logo o negócio cresceu e seu marido Luís Martin, na época relojoeiro, vendeu tudo e foi trabalhar com ela, gerenciando e a ajudando com a logística.
Ela coordenava rendeiras e mesmo quando o câncer começou a enfraquecê-la, ela continuou supervisionando a produção. Ela não via o trabalho como um fardo, mas como um meio de santificação.
Santa Zélie faleceu em 28 de agosto de 1877, vitima de câncer de mama.
Para conhecimento: Santa Zélia era casada com Santo Luís Martin e ambos são pais de Santa Terezinha. O casal foi o primeiro a ser canonizado juntos em 2015.
São padroeiros das famílias e pais que desejam criar os seus filhos na fé.
Dia: 12 de julho.
Trechos de suas cartas:
“Estou ansiosa para estar perto de você, meu querido Luís. Eu te amo com todo o meu coração, e eu sinto ainda mais o meu afeto quando você não está aqui comigo. Seria impossível para mim viver longe de você. “(Carta 108)
“Quando tivemos nossas crianças, as nossas ideias mudaram um pouco. Nós vivíamos só para eles. Eles eram toda a nossa felicidade, e nós nunca a encontrávamos em qualquer coisa exceto neles. Em suma, nada era muito difícil, e o mundo não era mais um fardo para nós. Para mim, os nossos filhos foram uma grande alegria, então eu queria ter um monte deles, a fim de criá-los para o céu. “(Carta 192)
Que possamos nos inspirar em Santa Zélia para transformar a nossa vida normal extraordinária.
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